Ao espelho...

Saturday, May 05, 2007

Talvez se te tivesse escrito as cartas tão pensadas na minha mente, o teu coração palpitasse agora por mim.

Eu pensei, muitas vezes, em escrever-te cartas. Enviá-las pelo correio, até. E quando as abrisses, sentirias o meu cheiro por entre as linhas e a minha letra redonda. Cada carta teria muitas páginas, que eu não me poupo nas palavras para ti. Cada letra seria cuidadosamente desenhada, como se fosse avaliada no final. O papel seria reciclado. A cor da caneta azul. E quando terminasse de as escrever, dobrava-as simetricamente, canto com canto, duas vezes. Por fim, colocava-as em envelopes, calmamente, como se não tivesse pressa que as lesses.

Todas elas teriam a emoção exagerada (mas verdadeira) que me caracteriza. Teriam o poder de te fazer sorrir, teriam a força para te fazer chorar, teriam a capacidade de te fazer sonhar.

Também isto poderia ser uma carta para ti. Mas não a vou escrever. Pelo menos não no papel. Que o que tenho para te dizer está algures escondido entre o meu coração e a minha alma. E a parte mais importante deste texto consiste nos espaços entre cada palavra e nas entrelinhas.
Será que vais perceber? Às vezes, nem eu percebo.

Para muitos, não passariam de cartas; ridículas, como um dia disseram.
Para ti, seriam cartas de amor.
Para mim, seria a expressão de uma vida.


Acho que nunca soubeste o quanto gosto de ti.

Friday, May 04, 2007

Olho para o lado. Sorrio. Faço cara de marota. Penso em ti.
Dou uma trinca na bolacha de maçã que já quase tinha esquecido ter na mão. Distraio-me por uns segundos.
Aninho-me nos lençóis. "Só mais um bocadinho", penso.
Relembro o sonho que tive contigo (mais uma vez).
Ouço uma voz chamar "Despacha-te, sai da cama".
Tapo a cabeça como por instinto. Não me apetece.
Fecho os olhos e o sorriso permanece.


Hoje é um dia bom, estou rodeada de pessoas.
Faltas tu, mas isso não parece ser um problema, vejo-te nos outros rostos.

Thursday, April 05, 2007

Gostava que de repente fosse possível entrar no corpo de alguém, sentir as coisas de outra maneira. Estou farta de sentir as coisas da mesma forma...talvez experimentar outras, sentir como outros sentem, será que muda assim muito?
Não sei como as outras pessoas vêem o mundo, sei lá se as cores são as mesmas, se variam os perfumes, diferem os gostos. Não sei se sentem as coisas com a mesma emoção, não sei se sentem o frio ou o calor como eu, se têm medo das mesmas coisas, se fazem as mesmas questões a si próprios, se pensam no mesmo que eu. Não sei se acordam sempre com frio, se gostam das mesmas músicas, se ambicionam as mesmas coisas. Não sei se resolvem os problemas da mesma forma, não sei sequer se os problemas serão os mesmos. Talvez ninguém se preocupe com coisas tão pequenas.

Eu preocupo.

Desde pequena que adoro observar as pessoas, às vezes fico a olhar para alguém imenso tempo, depois fico a imaginar como será a sua vida, para onde vai, quais os seus medos e dúvidas, fico a pensar se está feliz, se é quem sempre quis ser. Toda a gente quer ser alguma coisa. Toda a gente sabe sonhar, disso eu tenho a certeza.
Decoro pequenas coisas nas pessoas que me rodeiam, gosto de conseguir prever reacções, gosto de saber o que posso ou não dizer...Divirto-me nesses jogos, tenho que confessar! As pessoas são estranhas...cada um de nós vive no seu mundinho isolado, vê as coisas à sua maneira, estabelecemos relações uns com os outros, achamos que essa pessoa com quem nos estamos a relacionar nos percebe mas de um dia para o outro...puff!! isso muda radicalmente e passamos a nem poder ver essa mesma pessoa à nossa frente, acho isso estranho... Não devia ser assim.
Era tão simples se pudéssemos pôr o nosso corpo a descansar sobre uma prateleira, deixá-lo lá arrumado juntamente com as outras coisas que não interessam e deixar o resto andar por aí, viver aos bocadinhos nas mentes de outras pessoas como nós, aprender mais sobre a vida mas com partes do nosso ser desligadas. Era tão mais simples.



Vou tentar deixar o meu corpo arrumado no armário hoje, e vou voar por aí...vou tentar entrar em ti, perceber o que sentes.

Prometo que não vai doer...
Temos que ser superiores aos outros, temos que ser frios, maus, insensíveis. Temos que ser indiferentes, não convém dar demasiada importância, não é? Aparece sempre alguém com um sorrisinho que não quer dizer nada e nos explica (como se verdade absoluta) que não vale a pena. É mais fixe não se dar valor a nada!
Temos que ser rudes, impessoais e grosseiros. Dizer as coisas por dizer, fazer...só porque sim, porque apetece na hora, que se fodam as malditas consequências!
Temos que fingir que está sempre tudo bem, convém ser-se despreocupado. Está na moda.
Temos que ser livres, dizer a toda a gente que fazemos o que nos apetece. Mas é mesmo fazer questão de numa conversa banal dizer “sabes, eu faço o que quero!”. Devemos mostrar que confiamos em nós acima de tudo, nada nos deita a baixo, quero lá saber o que dizem!
Temos que ser egoístas, não devemos ligar a nada do que nos dizem, para quê perder tempo a ouvir os conselhos de alguém?
Temos que que andar de nariz no ar quando passamos na rua, fingir que o mundo à nossa volta não interessa para nada.
Jamais dar parte fraca, jamais admitir que sentimos falta de alguém. Sou imune a isso tudo! Não sinto. Desliguei um botãozinho que todos temos escondido, agora não sinto, sou a maior!
Temos que ser assim vazios, quando não somos olham-nos de lado, chamam-nos “tristes” e fazem-nos sentir muito pequeninos do outro lado. Quase, quase que nos fazem mesmo sentir culpados por sentir, por momentos chegamos a pensar que deveríamos ser mesmo assim esses seres estúpidos. Vazios.
Mas não...
Se calhar não sou eu que estou errada.
Que mal há em sentir?


Se houver...paciência,
Só interesso eu. Egoísmo Puro.







This love
Doesn´t have to feel love
Doesn´t care to be love
It doesn´t mean a thing

This love
This love loves love
It´s a strange love,
strange love






I think I´m gonna fall again

Wednesday, April 04, 2007

Só me beijas antes...beijo-te eu durante. Nunca me beijaste no fim. Não me beijas quando me deixas esgotada em cima da cama. Abraço-te forte. Peço-te ao ouvido para não fugires. Finges abraçar-me também.
Fecho os olhos e relembro. Arrepio-me à imagem perversa na minha cabeça. Imagino ver-nos de fora.
“Diz-me o que sentes?”
“Não posso explicar...”
“Quero saber como é para ti...”
Não sei em que penso depois, nunca sei. Quero lembrar-me mas é impossível. Começo a acreditar que é essa a parte em que eu liberto o meu corpo, deixo-o lá a viver o momento. Deixo-o no prazer enquanto eu me escondo de vergonha. Deixo o meu corpo como oferta e fico a descansar a consciência. Pudor.
Odeio movimentos bruscos.
Quando te deixo a sós com o meu corpo nem quero saber o que fazes com ele.
Escuto apenas...
“Foi a mais intensa”
Abraço-te.
Já sorriste comigo alguma vez?
Sim, já. Sei a tua expressão. Conheço todos os teus movimentos. Não sei se já te disse que, às vezes, fazes uma voz diferentes nessas noites em segredo. Sempre achei curioso.
“Faz amor comigo”

Só agora percebo a diferença... Puro sexo!
E esse, não se respeita!

É tarde demais

Entraste pela porta do meu quarto à hora que eu te marquei.
(não me lembro de ter dito para vires…)
Nem sequer bateste à porta, aliás, entraste como se o meu quarto fosse também o teu espaço, como se lhe pertencesses, como se te tivesse sido atribuído o poder de invadires o meu mundo sem autorização.
Olhaste para mim, mas não aquele olhar que eu gosto. Olhaste uma vez, uma vez tão rápida que nem sei se realmente foi a mim que os teus olhos viram. Nem sei sequer se era a mim que desejavas ver.
Disseste uma palavra, uma só palavra e foi “adeus”, sim eu sei que não emitiste qualquer som, sei que apenas moveste os lábios mas eu percebi que a tua entrada ali não seria para durar.
Atravessaste o espaço que nos separava lentamente, como se medisses a distancia e percebesses que era demasiada para alguma vez podermos estar juntos. Aproximaste-te de mim e falaste tão perto da minha boca que os meus lábios tremeram…sabes tão bem como me provocar! Estavas a sussurrar para a minha boca e não para mim, querias beijar-me mas és demasiado orgulhoso para isso, querias que fosse eu a faze-lo em tua vez.
Mesmo de luzes apagadas eu sabia a tua expressão, assim apreensiva como tu tantas vezes fazes…sabes o que se passa? Estás confuso…sim, confuso!
Não cedi mais à tentação e deixei que a tua boca devorasse a minha, como sempre, demasiado intensamente (o meu corpo gela com o teu beijo guloso). Apressado que tu és, as tuas mãos desceram para o meu corpo antes que eu pudesse pedir-te que o fizesses, invades-me sempre!
Não te quero, mas tu nunca me deixas dizer-te o que quero.
Adoras mostrar-me que sou indefesa, adoras ver-me a teu prazer, a servir-te apenas. Adoras perceber que não te resisto, adoras ver-me sofrer com a minha inconsciência, adoras ouvir a minha respiração descontrolada, adoras o meu sabor na tua língua e adoras cada milímetro dos meus lábios. Adoras repetir o meu nome, adoras conhecer o meu corpo, adoras quando não contenho os gemidos e adoras que te aperte contra mim. Adoras desprezar-me, adoras descobrir o meu ponto fraco, adoras ignorar-me, adoras saber que te adoro ainda mais…
Mais uma vez me tornas completamente tua, pertenço-te e recordo novamente o “adeus” que me dizes sempre que entras no meu quarto. Já não posso fazer nada, como sempre é tarde demais.

Vais embora mal o sol invade o espaço da lua (tal como tu invades o meu). A lua desaparece e leva-te com ela.
Sais sem uma palavra mostrando que mandas em mim…


É tarde demais para aprender

Friday, March 30, 2007

Ás vezes tens mesmo de errar, ir contra aquilo em que acreditas, magoar as pessoas que amas, trair a ti mesma com desculpas pouco ou nada seguras... Errar por errar, porque o desejo de o fazer supera a razão...
E aí a tens, a oportunidade ou desculpa perfeita... Vale a pena?

De manha a vontade de errar continua, só desapareceu o alivio por não ter cedido...

Sabes bem,pecado!

Sunday, March 25, 2007

Daydream

Um dia estive contigo junto ao mar: jantámos fora, numa esplanada em cima da água. Conservo ainda uma recordação de brancura de todo o cenário em volta; as tábuas do soalho, as mesas, as toalhas, as cadeiras; os candeeiros estavam pintados de branco e as lâmpadas irradiavam uma luz branca contra o céu que ainda não se fizera escuro, e até a lua esbranquiçava tudo à sua volta. Sobre a areia, também ela clara, estendíamos o que sentíamos até onde a vista alcança, com os pés descalços e os olhos nus. Não acredito que duas pessoas possam alguma vez ter sido mais felizes do que nós fomos naquele fim de tarde.Ou será que estou enganada? O meu jogo de ilusões conduziu-me à construção de um amor aparentemente perfeito. Criei o perfume da tua pele, o som do teu riso, a expressão do teu olhar... as minhas melhores recordações, sei-o agora, nunca aconteceram.
Quem me dera que alguém viesse ter comigo na rua e me dissesse Venha beber um café comigo, você é o meu alter-ego.
Ainda me lembro daquela noite em que me vieste buscar a casa e me levaste para aquele lugar que me roubou a respiração e o sono. Já te receava antes de te ver; e ao ver-te perdi a fala. Por isso nunca cheguei a confessar-te que és o homem no mundo que melhor faz cafuné, e que quando te pedia, com a respiração suspensa, que ligasses a luz do carro, não era por me poder esquecer dos traços do teu rosto; mas por ter medo que te embrenhasses na escuridão e acabasses por desaparecer.Também pensei na solidão que me ia assaltar nessa noite quando me despedisse de ti, sem mais truques, nem jogos, nem histórias com que enganar a tua companhia. Pensei no pouco que tinha para te oferecer e no muito que queria receber de ti... Mil vezes quis recuperar todas as palavras que me disseste, a tua imagem a tentar dizer mbuki-mvuki, os nossos jogos infantis, a promessa de um mergulho no rio gelado. Mil vezes quis regressar e perder-me outra vez em ti; mas só consigo lembrar com precisão uma imagem única de ti: tu de olhos fechados, a sorrir, encostado ao banco do carro. Teria gostado de te ver uma última vez, poder olhar-te nos olhos e dizer-te coisas que não sei contar numa carta; contudo sinto e sei que não vamos nunca voltar a estar juntos como naquela noite, às escondidas até de nós próprios. Mesmo assim, para mim, tu és perfeito.

Friday, March 23, 2007

Todos nós precisamos de alguém que testemunhe as nossas vidas, assistindo aos melhores e aos piores momentos delas. Precisamos de alguém que presencie as nossas vitórias e as nossas derrotas, as nossas frustrações e as nossas ilusões; precisamos de alguém que saiba tudo o que se passa connosco e que nos conheça melhor do que nós mesmos. Precisamos de alguém que nos ame por causa do que somos, e não por aquilo que pensa que somos.
Porque tu me conheces, eu preciso de ti. Gosto quando depois de fazermos amor em tua casa eu me deixo estar, nua, nos lençóis da tua cama; e tu passas lentamente os dedos pelo meu corpo todo e me beijas as pálpebras, o lóbulo da orelha, a curva do pescoço e as mãos. Costumas dizer que queres decorá-lo, conhecer cada centímetro, testemunhá-lo e recordá-lo para quando não estivermos juntos ou ele já não ser teu. Fazes-me sentir bonita como nunca ninguém conseguiu.
You're a story, a puzzle, a nightmare, a lucid dream, a psychedelic pop song, an invitation...