Ao espelho...

Wednesday, April 04, 2007

É tarde demais

Entraste pela porta do meu quarto à hora que eu te marquei.
(não me lembro de ter dito para vires…)
Nem sequer bateste à porta, aliás, entraste como se o meu quarto fosse também o teu espaço, como se lhe pertencesses, como se te tivesse sido atribuído o poder de invadires o meu mundo sem autorização.
Olhaste para mim, mas não aquele olhar que eu gosto. Olhaste uma vez, uma vez tão rápida que nem sei se realmente foi a mim que os teus olhos viram. Nem sei sequer se era a mim que desejavas ver.
Disseste uma palavra, uma só palavra e foi “adeus”, sim eu sei que não emitiste qualquer som, sei que apenas moveste os lábios mas eu percebi que a tua entrada ali não seria para durar.
Atravessaste o espaço que nos separava lentamente, como se medisses a distancia e percebesses que era demasiada para alguma vez podermos estar juntos. Aproximaste-te de mim e falaste tão perto da minha boca que os meus lábios tremeram…sabes tão bem como me provocar! Estavas a sussurrar para a minha boca e não para mim, querias beijar-me mas és demasiado orgulhoso para isso, querias que fosse eu a faze-lo em tua vez.
Mesmo de luzes apagadas eu sabia a tua expressão, assim apreensiva como tu tantas vezes fazes…sabes o que se passa? Estás confuso…sim, confuso!
Não cedi mais à tentação e deixei que a tua boca devorasse a minha, como sempre, demasiado intensamente (o meu corpo gela com o teu beijo guloso). Apressado que tu és, as tuas mãos desceram para o meu corpo antes que eu pudesse pedir-te que o fizesses, invades-me sempre!
Não te quero, mas tu nunca me deixas dizer-te o que quero.
Adoras mostrar-me que sou indefesa, adoras ver-me a teu prazer, a servir-te apenas. Adoras perceber que não te resisto, adoras ver-me sofrer com a minha inconsciência, adoras ouvir a minha respiração descontrolada, adoras o meu sabor na tua língua e adoras cada milímetro dos meus lábios. Adoras repetir o meu nome, adoras conhecer o meu corpo, adoras quando não contenho os gemidos e adoras que te aperte contra mim. Adoras desprezar-me, adoras descobrir o meu ponto fraco, adoras ignorar-me, adoras saber que te adoro ainda mais…
Mais uma vez me tornas completamente tua, pertenço-te e recordo novamente o “adeus” que me dizes sempre que entras no meu quarto. Já não posso fazer nada, como sempre é tarde demais.

Vais embora mal o sol invade o espaço da lua (tal como tu invades o meu). A lua desaparece e leva-te com ela.
Sais sem uma palavra mostrando que mandas em mim…


É tarde demais para aprender

2 Comments:

  • At 8:28 AM, Anonymous Anonymous said…

    Adoro o barulho dos teus sapatos de salto alto no soalho do meu quarto…
    "Ajuda-me a encontrar o sapato…"
    Ficas tão linda toda atarefada a remexer tudo no meu quarto…
    "Onde está o meu sapato?"

    =D
    ´
    Linda!

     
  • At 8:29 AM, Blogger dani said…

    Desta vez encontrei o sapato! O k tu não sabes é k perdi a cabeça! =P

     

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